Habitação coletiva no Bonfim

Trata-se de uma intervenção de reabilitação em dois lotes contíguos, com duas casas simétricas construídas no início do séc. XX, cujos logradouros se prolongavam até uma travessa de carácter algo precário. As duas casas estavam devolutas há décadas, alteradas e em pré-ruína. Têm a tipologia típica das habitações unifamiliares dessa época, e as paredes exteriores estruturais, em alvenaria de granito com cantarias na fachada principal, encontravam-se em bom estado.

A intervenção preserva e requalifica os edifícios históricos pré-existentes, e completa o vazio urbano junto à travessa com a construção de um novo edifício. Foram criadas sete frações para habitação permanente, com tipologias T1+2, T2 e T4. As duas ruas têm uma diferença de cota aproximada a um piso e, nesse piso, relacionado com transparência com a travessa, foram criadas condições para entrada e estacionamento de automóveis, motociclos e bicicletas.

Cada uma das casas pré-existentes foi dividida em duas frações. Manteve-se o carácter original das construções, preservando o esquema tipológico e as características espaciais dele resultante, e recuperou-se a imagem original das fachadas, restaurando as portas de entrada e as portadas originais, e substituindo os caixilhos por caixilhos de madeira idênticos. A mansarda, existente em apenas uma das casas, foi duplicada, completando a simetria do conjunto.

Mantiveram-se as duas entradas originais e as escadas de um lanço para os patamares de piso, a partir dos quais se faz o acesso, em cada lado, a duas habitações. As escadas interiores são sobrepostas, e acompanhadas em ambos os lados de compartimentos de serviço e / ou armários, mantendo a solução original onde as alcovas encostavam à escada deixando os espaços principais junto às fachadas.

Relativamente ao novo volume, construído na Travessa de Sto. Isidro, tem a fachada principal à face do arruamento, tal como os edifícios vizinhos, e cércea integrada no perfil da rua. A configuração da planta é irregular pois, para além de uma torção na fachada da rua, a fachada posterior faz a transição entre os alinhamentos das empenas dos vizinhos, funcionando como um verdadeiro elemento de colmatação, fecho e remate no quarteirão que se encontrava incompleto. Esta irregularidade deu origem a tipologias invulgares, que tiram partido da transparência entre fachadas e definem espaços fluídos e luminosos.